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Na fazenda Alegre, último combate da coluna Prestes





Deu-se no município de Corumbá, na fazenda Alegre, em 2 de janeiro de 1927, às margens do São Lourenço, num lugar denominado Sepultura, o último combate da coluna Prestes com forças legalistas, antes dos rebeldes alcançarem o território boliviano, onde se exilaram.

A notícia foi veiculada no jornal "A Manhã", do Rio de Janeiro, que transcreveu de "O Democrata" (Cuiabá), entrevista do comandante da guarnição da Marinha de Ladário, Jerônimo Gonçalves:

Pelas seis horas da manhã de 2 do corrente, ao passar o Itajuí pelo lugar chamado sepultura, campos da fazenda Alegre, o seu comandante notou algumas embarcações ali ancoradas e movimento de gente acampada. Quando parava para mandar o escaler de bordo reconhecer aqueles que ali se encontravam, recebeu a lancha um ataque de fuzilaria vindo da barranca. Ao manobrar para fazer a volta, encalhou a Itajui num banco de areia ali existente. Com uma calma e coragem admiráveis, o seu comandante, que é um sargento da marinha nacional, respondeu valentemente ao ataque, travando uma luta que durou cerca de uma hora e um quarto.

Livre do encalhe, tendo já ferido o comandante e um tripulante, a Itajui regressou ao Amolar, de onde a fiz seguir para Corumbá afim de medicar os feridos. 

Preparava o rebocador "Nenê" para vir em busca dos rebeldes, quando ali chegou a Iguatemi, recebendo eu uma ordem do senhor comandante da flotilha para comboiá-la até aqui, o que fiz sem novidades nem contratempos.

À pergunta de que se não havia encontrado mais revoltosos às margens dos rios, respondeu:

- Ao passar pelo Limoeiro, porto da Fazenda Triunfo, notei ali movimento anormal de grande número de pessoas e várias fogueiras acesas. Penso que eram eles que ali se achavam, pois esse porto é despovoado. Passamos de luzes apagadas, evitando qualquer combate, porque a minha missão a cumprir era conduzir e defender a Iguatemi, na qual vinham armas e munições do Estado, e, portanto, devia evitar qualquer luta que poderia prejudicar a nossa viagem.

Sobre eventuais baixas no combate da "Sepultura", esclareceu:

- Não posso afirmar ao certo. Informou-me o comandante da Itajui que, vendo a lancha encalhada, trataram eles tomá-la pela abordagem, descendo alguns deles para uma embarcação que tinham na margem, e que desistiram desse intento ante a cerrada fuzilaria dos nossos. Nesse momento vários deles tombaram ao chão, não sabendo o meu informante se mortos ou feridos ou apenas amedrontados.

Quanto ao comportamento dos revoltosos disse que "as informações que colhi são de que saqueiam o dinheiro, joias e objetos de valores que encontram e que destroem os gêneros alimentícios e tudo o mais que pode ser de utilidade às forças legais; entretanto, não tive notícia de nenhum desrespeito a famílias, nem atentados contra a honra e nem mesmo de assassinatos e espancamentos".


FONTE: jornal A Manhã, (RJ), 9 de fevereiro de 1927. 

FOTO: reprodução www.publico.pt

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Segundo Felipe Velasquez, neto da vítima, os irmãos homicidas foram inocentados, alegando legítima defesa, "apesar de ser pública e notória a prática do crime".²
FONTE: ¹Diário da Noite (RJ) 27 de outubro de 1948; ²Felipe Velasquez, entrevista ao blog em 20 de maio de 2017
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