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Fundação do forte Coimbra



Por ordem do governador Luis de Albuquerque, é iniciada a construção, em 13 de setembro de 1775, do presídio de Coimbra, com registro na seguinte ata:

Ano do nascimento de N. S. Jesus Cristo de mil setecentos e setenta e cinco – aos 13 dias do mês de setembro nesta situação até agora chamada – Fecho dos Morros – aonde presentemente me acho, eu o capitão Mathias Ribeiro da Costa, comandante dum corpo de soldados Dragões, doutro de Auxiliares encarregado ao ajudante Francisco Rodrigues Tavares e de outro de ordenanças encarregado ao capitão Miguel José Rodrigues – e sendo aí em cumprimento das ordens do Ilmo. e Exmo. Sr. Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, Governador e Capitão General desta capitania de Mato-Grosso debaixo das quais fui expedido da vila de Cuiabá com os sobreditos corpos a indagar paragem própria que debaixo das armas de Sua Majestade F. pudesse segurar a nossa antiga navegação do rio Paraguai para que em nenhum tempo passem vassalos de outro qualquer monarca a ocupar e invadir esses domínios meridionais do dito sr., nem prosseguir por este rio nem pelos mais que nele desembocam subindo-lhe suas fontes, ou isto seja com gentes gentílicas habitadores destes distritos que por serem auxiliados com armas ofensivas, e outros socorros pelos vassalos de Sua Majestade Católica costumam por esta mesma navegação fazer repetidos roubos e mortes não só nas viagens dos comerciantes, mas ainda nas povoações sujeitas a S.M.F. que Deus guarde e não achando eu paragem mais acomodada para estabelecer-me entrincheirado segundo as ordens do dito senhor general até a sua decisão última se não a de um morro que fica sobre as margens do dito Paraguai, da parte do poente em uma ponta dele com o parecer dos sobreditos oficiais que presentes estavam fiz assento duma fortificação na forma dita com figura quadrada, sendo lançada por mim a primeira pedra em nome d’El Rei nosso Senhor presentes as sobreditas tropas formadas em batalha com bandeiras reais arvoradas solenizando-se este auto de revalidação de posse, ou de nova posse, sendo necessário que por ordem do Ilmo. e Exmo. Governador e Capitão-General desta sobredita capitania tomei com efeito ou revalidei, sendo necessário com dito fica em nome d’Ele Rei Nosso Senhor a quem diretamente pertencem esta fortificação e domínios isto com descarga de artilharia e mosquetaria entre os mais aplausos que em semelhantes atos se praticam, do que para constar a todo o tempo mandei lavrar este termo por José da Fonseca Fontoura e Oliveira e assinei como comandante, juntamente com os mais oficiais abaixo assinados. E eu, José da Fonseca Fontoura e Oliveira que sirvo de furriel de Dragões por ordem do dito comandante, o escrevi e assinei. José da Fonseca Fontoura e Oliveira – o capitão Miguel José Rodrigues – o ajudante Francisco Rodrigues Tavares – o alferes Gaspar Luiz de Amorim – o alferes Francisco Lopes Barreyro.

Houve equívoco quanto a localização. O capitão Ribeiro da Costa enganou-se no reconhecimento do local destinado à fundação do forte. Em vez de Fecho dos Morros parou no lugar chamado estreito de São Francisco Xavier, 44 léguas antes do local estabelecido. 



FONTEAyala, S. Cardoso e F. Simon, Album Graphico do Estado de Mato Grosso, Corumbá/Hamburgo, 1914; pag 349

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FONTE: ¹Diário da Noite (RJ) 27 de outubro de 1948; ²Felipe Velasquez, entrevista ao blog em 20 de maio de 2017
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