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Fugindo da guerra, barão de Vila Maria chega ao Rio




Em 21 de fevereiro de 1865 chega ao Rio, com a família o pecuarista Joaquim José Gomes da Silva, Barão de Vila Maria, proprietário da fazenda Firme, no município de Corumbá. O barão fugia da guerra do Paraguai, que chegara a Corumbá nos primeiros dias desse ano. O Diário do Rio de Janeiro faz o registro:

"Chegou ontem a esta corte o sr. Barão de Vila Maria, trazendo 29 dias de viagem de sua fazenda à margem do Paraguai, no distrito de Corumbá.


Esta rápida viagem feita pelo sr. barão de Vila Maria, que trouxe consigo sua família, foi determinada não só pelo desejo de vir entender-se com o governo a respeito dos negócios da sua província, como também pela necessidade de salvar-se a si e à sua família.


O sr. barão só tem conhecimento das ocorrências havidas entre 26 de dezembro e o dia 3 de janeiro.


Confirmam-se as notícias sobre a tomada de Coimbra e sobre a crueldade dos paraguaios.


Infelizmente, porém, que reformar o nosso juízo sobre a defesa do forte de Coimbra.


Parece que houve uma culposa fraqueza na sustentação desse forte abandonado, quando podia resistir com eficácia.


Das autoridades incumbidas de zelarem pela defesa e segurança do império, nenhuma se preveniu, nenhuma acreditou na possibilidade da invasão paraguaia.


Foi a esforços e diligências do sr. barão de Vila Maria que as comunicações relativas a essa invasão foram feitas às povoações e as autoridades desacauteladas.


A força invasora era numerosa, mas sobre a sua disciplina e bravura, confirma-se os conceitos aqui propalados.


No ataque de Coimbra, perderam muita gente e a esta hora o forte estaria ainda em nosso poder, se não fosse a fraqueza a que acima nos referimos.


Mais algumas horas que se tivesse prolongado a defesa, teria chegado o reforço que foi encontrado pelo comandante e que com as munições que levava, podia determinar a derrota ou a retirada dos paraguaios.


O resultado dessa fraqueza está hoje patente. A nossa fronteira está dominada pelos paraguaios, que por toda parte incendeiam e saqueiam as propriedades; sublevando os escravos que em grande número têm abandonado as fazendas e tomado armas.


Foi um fato que determinou a pronta viagem do sr. barão de Vila Maria que, tendo a comunicação fluvial interceptada e a retirada para a capital da província também impedida, tomou a resolução de vir para o Rio de Janeiro.


Pessoas que conversaram com o sr. barão, dizem-nos que Cuiabá conta apenas com 600 homens da tropa de linha para base da sua defesa. Que a guarda nacional está armada e pode reunir-se; mas que não é provável o ataque dessa cidade porque aos paraguaios faltam vapores apropriados para empreender essa operação.


Miranda foi atacada e tomada pela expedição que marchou por terra.


E parece que grande cópia de munições de guerra há sido abandonada ao inimigo.


Para compensar estas tristes notícias sabemos que acha-se em Cuiabá são e salvo o sr.chefe de esquadra Leverger, cidadão este que por sua inteligência, por seu patriotismo e pelo conhecimento que tem da província, muito pode concorrer para sua defesa.


O sr. barão de Vila Maria nada pode assegurar, quanto de notícias propaladas de haverem sofrido os paraguaios alguns reveses. 


Contudo acredita neles por boatos que chegaram ao seu conhecimento.


Em todo caso a paralisação dos movimentos empreendidos pelo vitorioso exército dá claramente a entender que está finda a missão do Paraguai por esse lado de suas operações".



FONTE: Diário do Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 1865.


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