Pular para o conteúdo principal

Sem missa para Garibaldi





O padre Constantino Térsio, pároco de Corumbá, recusa em 22 de junho de 1882, pedido da colônia italiana local para celebrar missa pela alma do general Giuseppe Garibaldi, herói da revolução italiana, falecido em 2 de junho de 1882, em Caprera, Itália. O padre comunicou o fato aos seus superiores, de quem, em resposta, recebeu total apoio à sua decisão, conforme ofício recebido do bispo Carlos Luis d'Amour, de Cuiabá:

"Rm° Senr.º
Acabo de receber, por intermédio de S. Exª. o Senr. Presidente da Província, os ofícios de V. Rmª. de 22 e 23 do corrente, comunicando-me os fatos desagradáveis que deram-se na matriz dessa freguesia, por ocasião de não querer V. Rmª. prestar-se a sufragar a alma de G. Garibaldi, conforme solicitaram alguns habitantes da cidade.

E inteirado de tudo o mais que V.Rmª. trouxe ao meu conhecimento sobre tal assunto, cumpre-me dizer-lhe que muito bem procedeu V. Rma. em não anuir a semelhantes sufrágios. Quem durante sua vida é inimigo da Igreja de Deus e de tudo quanto lhe diz respeito e em seus últimos momentos com ela não se reconcilia, não pode gozar de suas graças.

Ora, não constando que o finado Garibaldi, o maior inimigo da Igreja Católica, se tivesse retratado de seus erros e voltado para o seio da mesma igreja, da qual se achava separado, não podia ele gozar de suas graças, privilégio dos católicos, como sejam os sufrágios.

Muito bem também procedeu V. Rmª. em abster-se desde logo de oficiar na dita matriz, à vista das profanações que nela praticaram-se; mas apenas receba V. Rmª. este meu ofício, dê por terminado o interdito, e continue no exercício do ministério paroquial, até que o Rdº. frei Mariano de Bagnaia regresse de sua viagem e assuma a administração da paróquia. Leia V. Rmª. este meu ofício à estação da missa Conventual para conhecimento dos fiéis.

Deus abençoe e guarde a V. Rmª.

Carlos, Bispo de Cuiabá".

FONTE: jornal A Província de Mato Grosso, 6 de agosto de 1882.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fundada a fazenda Firme no Pantanal de Nhecolândia

Busto de Nheco em Corumbá O cacerense Joaquim Eugênio Gomes da Silva, Nheco, funda em 11 de março de 1880, a fazenda Firme, no município de Corumbá. A notícia é de Augusto César Proença, descendente do fundador:   "O local era uma tapera suja de bamburros e caraguatás. Tinha alguns esteios fincados, cobertos por ervas daninhas, cruzes espalhadas dentro do capão, cacos de telhas, ossos de animais, pedaços de potes de barros. Tinha também uma figueira copada no meio do lago macegoso e alagado, ao lado da qual Nheco e os camaradas fizeram um poço, muito mais tarde durante um período de seca. A história dessa fazenda começa aqui. Não é história de luta armada para conquista de uma terra. Não é a história de ambições desmedidas, de mando, de poder, de extermínio. Será mais uma história de bravura, de desapego ao conforto e à comodidade que as cidades ofereciam àquela época. Será a história de uma gente simples nos seus dizeres e fazeres. Otimista para enfrentar um ambiente tão ru...

Forte Coimbra, capital de Mato Grosso

Carta imperial de 7 de outubro de 1850, nomeia o capitão de fragata Augusto Leverger, governador geral da província de Mato Grosso .  Assumiu o governo a 11 de fevereiro do ano seguinte. Para o Sul do Estado, fato relevante de seu período à frente da província, foi a transferência provisória do governo para o forte de Coimbra, conforme relata Virgílio Correa Filho: A ameaça de guerra próxima emborrascava os horizontes sulinos, quando Leverger teve ordem de concentrar toda a força da província na fronteira do Baixo-Paraguai, onde aguardaria a chegada dos navios, que deveriam transmontar o rio, com licença do solerte ditador ou à sua revelia. Iria apoiar, a montante, a ação do representante imperial que, a jusante, forçá-la-ia quando não lhe fosse permitida a passagem. Já era então Leverger, chefe de divisão, a que fora promovido a 2 de dezembro de 1854 e acumulava o Comando das Armas. Poderia organizar a expedição e dar-lhe a chefia ao mais graduado dos seus colaborad...

JK inaugura fábrica de cimento de Corumbá

Governador João Ponce, presidente JK e Jorge Oliva, presidente da empresa O presidente Juscelino Kubitschek foi o principal convidado da direção da fábrica de cimento de Corumbá ao ato de inauguração da empresa em Corumbá, ocorrido em 25 de abril de 1957. O evento histórico foi alvo de reportagem da revista Brasil-Oeste: No avião "Viscount", recentemente adquirido para as viagens presidenciais, o presidente Juscelino Kubitscheck seguiu na manhã de 25 de abril p.p. para a cidade de Campo Grande, de onde se transferiu para um "Douglas" que o conduziu a Corumbá. O chefe do Governo fez essa viagem para inaugurar a fábrica da Companhia de Cimento Portland Corumbá, na cidade do mesmo nome, e visitar a Base Naval de Ladário. Antes de regressar ao Rio de Janeiro, o presidente da República esteve em Belo Horizonte, onde pernoitou, para no dia seguinte proceder à inauguração de um cabo aéreo de 40 quilômetros, que transportará calcário da mina à fábrica de cimento em Mi...